Controlada por Maduro, “justiça” quer anular a imunidade política de Guaidó para prendê-lo

Juan Guaidó poderá ser preso por motivação política após pedido do TSJ. Reprodução: Google

O presidente do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, Maikel Moreno, pediu nesta segunda-feira (1º) à Assembleia Nacional Constituinte (ANC) para suspender a imunidade parlamentar de Juan Guaidó, autodeclarado presidente da República do país. A ANC é a Assembleia governista presidida por Diosdado Cabello.

Na prática, a iniciativa é uma tentativa do governo ditatorial de Nicolás Maduro de fechar o cerco contra Guaidó, porém, utilizando a “justiça” como justificativa. Não é novidade que a Suprema Corte do país é controlada pelo governo, que já decretou a prisão de outros opositores com o seu aval.


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A Assembleia Nacional Constituinte é um grupo político paralelo à Assembleia Nacional da Venezuela. O primeiro foi formado pelo governo visando eliminar o segundo, que foi composto no passado pelo voto popular. Guaidó é líder do segundo, enquanto Diosdado Cabello é o líder do primeiro.

Maduro criou a ANC porque perdeu apoio da Assembleia Nacional Venezuelana, assim, deixando de reconhecer a legitimidade dos políticos oposicionistas, algo típico em regimes ditatoriais.


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Uma vez que a clandestina ANC declare suspensa a imunidade parlamentar de Guaidó, a “justiça” terá o poder de julgar o presidente interino por crimes comuns, e certamente irá condená-lo, podendo levá-lo à prisão. Essa é a intenção de Maduro, calar o seu maior adversário.

Segundo informações da Telesur, o presidente do TSJ, Maikel Moreno, pretende sancionar uma sentença proferida contra Guaidó em janeiro desse ano. A lista inclui “a proibição de deixar o país sem autorização até que a investigação seja concluída; a proibição de transferência e oneração de propriedade, bloqueio e imobilização de contas bancárias ou qualquer outro instrumento financeiro em território venezuelano”.


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Moreno pretende enviar o pedido referente a Guaidó também para o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, “com a finalidade de continuar o procedimento para a acusação de altos funcionários.”

Pelo andamento dos fatos, a prisão de Guaidó é apenas uma questão de tempo, pois o cenário está sendo construído para isso. Maduro irá alegar ao mundo ter feito “justiça”, usando a Suprema Corte manipulada por ele como forma de mascarar uma perseguição que é nitidamente política e ideológica.

Resta saber se diante de tal possibilidade, da prisão de Guaidó, os países que já declararam apoio ao presidente legítimo, como o Brasil e os Estados Unidos, continuarão se posicionando diplomaticamente ou se este será o estopim para uma guerra declarada contra o regime chavista.