Após virar boneco em manifestação, Maia recua e defende Bolsonaro contra “maldade”

Rodrigo Maia e Bolsonaro

O presidente da Câmara dos deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), utilizou uma ocasião nesta quarta-feira (29) para minimizar possíveis divergências com o governo, especificamente com o presidente Jair Bolsonaro. O chefe de Estado brasileiro brincou com o parlamentar, dizendo que teria mais poder com a caneta do que ele como deputado, chamando atenção da mídia oposicionista.

Rodrigo Maia, no entanto, defendeu o presidente Bolsonaro, dizendo que a sua frase não foi maldosa, mas fruto de um contexto. “Ele fala da questão do decreto e da importância que o bom decreto tem na regulamentação de projetos de lei. Não tem maldade nenhuma não, não vamos criar maldade onde não existe”, disse ele.


Maia, que em outros momentos criticou duramente Jair Bolsonaro por sua “falta de diálogo” com o Congresso, dessa vez fez questão de pregar a paz: “Não vou ficar entrando em uma frase que eu sei o contexto que ele falou pra mim, não teve maldade nenhuma nos decretos. Vamos manter um ambiente distensionado”, acrescentou, segundo o Metrópoles.

Sobre a ida surpresa do presidente Jair Bolsonaro que foi a pé do palácio do Planalto para uma sessão solene na Câmara, na manhã desta quarta-feira (29), Rodrigo Maia também aproveitou para elogiar o presidente, dizendo que foi um bom exemplo em busca de aproximação.


“É bom o presidente vir aqui, prestigiar e homenagear a Câmara, precisa mais disso. Precisa mais de proximidade de diálogo do que de conflito”, disse ele, exaltando em seguida o papel do presidente no andamento do Congresso.

“O importante é a gente estar conversando, estar dialogando. O presidente estar próximo ao parlamento é importante, a construção das votações de interesse do Brasil passam pela liderança do presidente da República, dos seus aliados, então é bom”, continuou.

Rodrigo Maia, que ganhou uma versão de boneco com um saco de dinheiro na manifestação do último dia 26, também falou sobre a reforma da Previdência, sinalizando que ela deve ser votada até o dia 15 de junho, e com expectativa de vitória!


“Acho que com o relatório apresentado uma semana antes, os deputados vão poder fazer criticas e a gente vai poder ter a sensibilidade se o texto que ele está querendo apresentar é um texto que que vai ter vitória”, avaliou.

A mudança de tom do deputado com relação às intenções do governo parece refletir a pressão exercida pela população nas ruas. Até então, o grupo de parlamentares que compõem o “centrão” parecia acreditar que o governo estava ficando isolado, sem o apoio dos seus eleitores, o que terminou sendo rechaçado nas manifestações do domingo (26).


Em outro momento, a declaração de Bolsonaro com relação ao seu poder como presidente certamente seria interpretada de forma bélica, visando acirrar ainda mais a divergência dos poderes para construir uma imagem de ingovernabilidade associada à figura do presidente.

Todavia, ciente de que além do Congresso há uma força maior nas ruas, mais interessada no futuro do país do que nas tramas internas ente parlamentares e partidos, Maia parece estar percebendo que sem colaborar para o Brasil avançar, não será apenas o governo que estará em risco, mas também o seu futuro político.