“Travesti não é mulher”, diz mestre em Saúde Pública em correção à Damares Alves

O escritor e mestre em Saúde Pública, Claudemiro Ferreira, autor do livro “Homossexualidade Masculina: Escolha ou Destino?” (Editora Thesaurus, 2008), fez uma publicação rebatendo uma declaração da ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, feita na última sexta-feira (24).

Na ocasião, Damares comentou para o Correio Braziliense a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de criminalizar a “homofobia” no país, afirmando que “é uma prioridade deste governo” combater a violência contra a comunidade LGBT, destacando “principalmente a mulher travesti“.


Claudemiro, conhecido por denunciar frequentemente o ativismo ideológico do movimento LGBT no Brasil, motivo pelo qual já sofreu perseguições até do Ministério Público por defender ex-homossexuais, criticou a declaração da ministra: “Pesquiso esse tema há pelo menos três décadas e esta é a primeira vez em que vejo o termo ‘mulher travesti'”, escreveu ele em sua rede social.

Em seguida, o autor detalhou sua visão citando uma referência bibliográfica, como segue:


“Pesquiso acerca da homossexualidade há mais de três décadas. Tenho uma enorme biblioteca sobre o tema. Publiquei um livro polêmico acerca desse assunto. Entretanto, NUNCA encontrei NENHUMA pessoa SÉRIA que dissesse que travesti é mulher!

Qualquer pesquisa decente sobre o mundo dos travestis deixa evidente que nenhum deles pensa ser uma mulher.

O Dr. Carlos Alberto Messeder, Antropólogo, por exemplo, em seu livro “Intensidades Eróticas: a questão gay em debate” [2014], destaca trechos de suas entrevistas com vários travestis que, em suas próprias palavras, assim se definiram:

‘Você se olha no espelho e se acha uma mulher… aquilo é uma ilusão. A nossa vida é feita de ilusões’. Luciana.


‘Quem se acha mulher é louca! Eu sou travesti e estou feliz assim.’ Adriana.

‘A gente é admirada pelo público porque a gente não é mulher, entendeu? É um homem, tem pênis, mas é belíssima!’ Suzane Kellen.

‘Nós somos homens! Na hora ‘H’, temos que funcionar um pouco como homem.’ Michelle.

‘Todo travesti tem uma coisa masculina, não é? Eu prefiro ser travesti, que tem esse fascínio de parecer uma mulher, mas sem ser.’ Paulete.


‘O gostoso para mim é essa diferença… É ser diferente… É essa confusão… é confundir… O meu prazer está na sedução e na confusão… Travesti não tem sexo, não tem opção sexual definida totalmente… nele cabem todos os sexos.’ Indianara.

‘Homem na vida de travesti é um atraso… Descontrola a vida da gente totalmente… Na realidade, homem nasceu para a mulher, e a mulher para o homem… Um homem nunca vai dar certo com outro.’ Rogéria.’ [Pág. 129-35].